quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vale a Pena

* Tio Zeca
zecacapitalista@gmail.com
www.zecacapitalista.blogspot.com


Em épocas de eleições presidenciais é possível perceber a superficialidade das discussões, a pauta restrita do debate, as oportunidades perdidas para se acabar de vez com os mitos, com os dogmas. Dilma e a petezada, claramente preocupados com o crescimento do candidato oposicionista, tentam mudar o foco das discussões para as privatizações. Sempre que há uma eleição, os vermelhos usam deste velho expediente para dar a impressão ao eleitor que alguém o sacaneou porque vendeu uma empresa “pública”, uma estatal “do povo brasileiro”. Balela das grandes. Coisa de ignorante.

Agora que Dilma foi emparedada pelas suas próprias palavras e convicções ou pelo caso Erenicegate que lhe tirou milhões de votos, restou a companherada confundir o eleitorado com a ameaça de que o seu adversário venderá mais estatais. Mas, alguém sabe por que ainda temos tantas empresas estatais? Não? Mas será o Benedito?

Para Dilma, seu padrinho Lula Alá e as facções políticas que lhes dão apoio, uma empresa estatal é do povo, é do Brasil. Fazem que acreditem que as estatais são produtivas, lucrativas, bem geridas, recolhem impostos em dia, que nunca dão prejuízo. Talvez pensem assim porque essas estatais têm em suas diretorias, gerências e onde quer que possam dependurar mais companheros, os competentes políticos e apaniguados do PMDB (de Michel Temer, Sarney e Barbalho) ou do PTB (de Collor) ou do PP (de Maluf) ou do próprio PT (dos Zés Dirceu e Genuíno).

Dilma acusa Serra de ter sido um grande defensor da privatização da Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce). “-Serra, você foi a favor!”, bradava a candidata, quase que se babando toda. Puts! Dilma deixou a bola quicando na frente do gol sem goleiro e o Serra não foi capaz de chutá-la em direção a rede. Serra poderia ter feito algumas perguntas a Dilma (o Dr. Magalha - a Mãe Diná dos Campos Gerais e bajulador mor dessas plagas - pode responder, se quiser):

1) Quanto em impostos a Vale recolheu antes e depois de ser privatizada?
2) Qual era a produtividade da Vale antes e depois?
3) Qual era o faturamento da Vale quando era “do povo” e quando passou a ser uma empresa privada?
4) Em quantos países a Vale atuava antes e agora?
5) Quantos funcionários ela tinha e quantos passou a ter?
6) Quanto valia a Vale do Rio Doce e quanto vale a nova Vale?
7) Quanto que cada brasileiro ganhou em dividendos quando a Vale era “sua” e quanto o brasileiro acionista já ganhou depois que ela se tornou uma empresa privada? Entendeu a pergunta, Dr. Magalha? Vamos lá: quanto o Dr. recebeu em dividendos da Vale do Rio Doce quando a companhia era “sua e de todos os brasileiros” e quanto suas ações já renderam depois que ela foi privatizada?
8) E por fim, a última e mais importante pergunta: Dilma, responda sim ou não, você quer reestatizar a Vale?

Todas essas perguntas também podem ser feitas sobre outras empresas que foram privatizadas como, por exemplo, a Embraer. Esse papo bolivariano de empresa estatal ser empresa “do povo” é a maior mentira que pode existir. Empresa estatal é empresa do partido, dos políticos da base de apoio, dos apaniguados. Não é, nunca foi e nunca será “do povo brasileiro”.

O Estado não consegue cumprir decentemente com sua obrigação constitucional de oferecer educação, saúde e segurança aos brasileiros, agora quer ter empresa de mineração, metalúrgica, fabricante de aviões, de computadores, hotéis, cinemas, restaurantes, jornais, revistas, emissoras de rádio e TV...? Vamos pela mesma trilha de Cuba e Venezuela? Mas será o Benedito?

* Tio Zeca é seca-pimenteira-senador acionista da Vale, “como o Dr. Magalha”.

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