quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Oráculo

* Tio Zeca
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Dr. Magalha é um cara legal, não acha? Tá bem, se não é legal, pelo menos criativo ele é. Seu QI é alto. Tudo bem, QI mediano. Consegue antever o futuro como um Nostradamus tupiniquim. Manja de tudo, do grão de areia ao angu da baleia. Entende de futebol, política, engenharia, educação, bajulação...

A “Mãe Diná” do Página 1 disse que o Brasil ganharia da Holanda, que Osmar Dias não seria candidato a governador, que Moacyr sairia candidato a deputado, que ... Dá pra perceber que o cara entende! Tá mais pra aquele macaco africano que não acertou nenhum palpite nos resultados dos jogos da Copa do que para o polvo Paul, que acertou todos.

No campo da educação, é um especialista. Suas teorias são de arrepiar. Diz que não adianta melhorar o ensino público porque o ensino particular sempre será melhor. Melhor deixar como está. Sobre a avaliação do Ideb, diz que as escolas particulares são um pouco melhores que as públicas e que tem que ser assim mesmo. Afinal, se os resultados fossem iguais, ninguém pagaria para seus filhos estudarem nas escolas particulares; todos estariam estudando em escolas públicas. Inteligente esse doutor!

A nota do Ideb da rede pública no estado do Paraná foi 5,2. Para as escolas particulares, a nota do Ideb salta para 6,8. Essa “pequena” diferença poderia ser menor ainda. Sabe como? Piorar o ensino particular para ficar com nota parecida? Mas será o Benedito? Claro que não. Basta ter uma lei que obrigue todos os prefeitos, governadores, deputados, senadores, secretários de educação e de outras pastas, assessores de alto escalão em “cargos de confiança”, professores e diretores de escolas da rede pública a matricular seus filhos em escolas públicas. Nenhum deles poderia ter filhos estudando em escolas particulares. Rapidinho, rapidinho, chegaríamos a índices decentes.

Bajular políticos não fará com que os índices de avaliação do ensino melhorem. Na verdade, puxar o saco deles só faz demonstrar a sua ignorância. É típico de países subdesenvolvidos. Cobrar resultado dos gestores públicos e dos políticos é o caminho. Acreditar na história que falta dinheiro para se construir um sistema educacional público decente também é demonstrar ignorância. Um país com a carga tributária batendo perto de 40% do PIB, que arrecadará 1 trilhão e 600 bilhões de reais neste ano em impostos, que é capaz de “queimar” cerca de 300 bilhões de reais por ano pagando juros para banqueiros e especuladores, não pode dizer que não tem dinheiro. Pode não ter vontade. Pode não ter capacidade, nem vergonha, mas dinheiro tem.

Agora, se você quer saber quem vencerá as próximas eleições, faça uma consulta ao Oráculo do Página 1. Ele não erra uma!

* Tio Zeca é seca-pimenteira que prefere o Mister M.

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