* Tio Zeca
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Tem muitas maneiras de se acabar com um problema. A mais simples é ignorar a causa do problema. Veja um exemplo disso:
Certa feita, o maridão chegou fora de hora em casa, o que jamais seria previsto pela sua linda e ligeira esposa, já que o dito cujo tinha que bater cartão. Surpresa na hora errada. Não é que il cornuto encontra a digníssima no maior rala e rola com o Ricardão em seu sofá novo?! Sabe como o desgraçado resolveu o problema? Vendeu o sofá.
Todo mundo sabe que tem muita gente que vende o sofá achando que os seus probrema acabaram. Veja o que está acontecendo nas rodovias com pistas duplas que passam por nossa região. A pretensão do governo e dos concessionários dessas rodovias é que elas sejam vistas como modernas e seguras, verdadeiras autoestradas de primeiro mundo (inclusive pelo alto valor dos pedágios). Na verdade não são seguras. Em nenhuma rodovia duplicada de alta velocidade (110 km/h ou mais) no primeiro mundo pode haver cruzamentos em nível, acessos diretos de estradas vicinais sem pista de desaceleração e aceleração. As nossas rodovias de “primeiro mundo” são assim, digamos, uma exceção. Conseguem ter lombadas (veja Ponta Grossa), semáforo (veja Campo Largo), diversos cruzamentos e retornos em nível, falta de passarelas em áreas urbanas (veja Carambeí) e até o absurdo de uma rotatória furada e com ponto de ônibus no seu interior (veja o trevo de acesso principal de Castro). De Castro a Curitiba, são pelo menos 40 obstáculos (cruzamentos, lombadas, radares, semáforos...) na autoestrada tupiniquim, em média um a cada 4 km. Parece mais uma pista de corrida com obstáculos.
Essas rodovias “de primeiro mundo” matam cada vez mais pessoas. Os cruzamentos em nível e a falta de passarelas em locais populosos deve ser a maior causa de mortes nessas estradas. A culpa é dos motoristas que não respeitam as placas de sinalização e o limite de velocidade; mas será somente deles? Será do Benedito?
Você sabe qual é a solução que alguns aplaudem? Colocação de radares (inoperantes!), lombadas e semáforos. Daqui a pouco, também aplaudirão a construção de mata-burros e de porteiras nas rodovias. O motorista pára e abre a porteira para passar, assim terá que reduzir a velocidade num local de cruzamento em nível. Afinal, por que não resolver o problema de forma definitiva construindo viadutos e trincheiras para acabar com os cruzamentos em nível, alambrados e passarelas nas áreas urbanas cortadas por essas estradas? Faltam recursos financeiros? Que tal usar o dinheiro dos pedágios?
Não faltará quem defenda que é melhor colocar lombada, semáforo e radar que não funciona do que não fazer nada. Tolice. O melhor é resolver o problema, definitivamente.
Segundo o Dr. Magalha, a culpa pelos acidentes não é da rodovia mal projetada. A culpa é da falta de radar, de lombada, de semáforo, de porteira... A culpa é do sofá!
* Tio Zeca é seca-pimenteira que prefere poltronas e apóia o movimento galáctico “Cala Boca, Dr. Magalha” (twitter.com/calabocamagalha).
quarta-feira, 14 de julho de 2010
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