* Tio Zeca
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Não só as pessoas normais têm seus heróis e heroínas, como também os bolivarianos. Contudo, estes heróis bolivarianos têm uma biografia um tanto controversa para as pessoas normais. Um dos mais célebres é Solano López, ditador paraguaio na época da Guerra do Paraguai. Prof. Cicy sempre ensinou que o Brasil matou 95% da população masculina paraguaia, que sobraram somente mulheres e crianças, e que a Inglaterra queria que o Brasil destruísse o Paraguai (seria uma potência em crescimento ameaçador). Isso mesmo. O Paraguai estaria desafiando o imperialismo inglês e nós, brasileiros, beligerantes e bobinhos que somos, entramos na peleia com a ajuda de los hermanos argentinos e uruguaios. O herói Solano teria nacionalizado as terras de latifúndios poderosos que exploravam os menos favorecidos. Entramos numa dívida de guerra impagável, irresponsabilidade de nossos militares ambiciosos. Tudo culpa do imperialismo inglês e da cobiça capitalista anglo-tupiniquim. Sabe qual é a outra versão da história? Vamos lá.
O Paraguai, naquela época, tinha um sistema de poder muito interessante, apesar de ser uma República. O cargo de presidente era vitalício e hereditário, como adoram os esquerdistas. Carlos López, pai de Solano, havia escolhido como seu sucessor o mais competente de seus filhos – Angel Begnino. O moribundo presidente Carlos foi convencido por Solano, sabe lá como, a mudar sua decisão e o tornou seu sucessor. A família era dona de quase 90% das terras do Paraguai. O país exportava somente erva-mate, tabaco e madeira, e para entrar no negócio, só se fosse compañero do presidente. Não havia fábricas, pois os empresários tinham sido expulsos do país, por medo que conspirassem contra o governo. Quase todos os produtos industrializados tinham que ser importados. O herói bolivariano Solano López também era doidão, cheio de complexo de superioridade, vaidoso, bipolar e corrupto. Com a guerra perdida e obcecado por supostas conspirações contra seu governo, mandou matar o próprio irmão. O herói era casado com uma prostituta irlandesa que conheceu em um cabaré parisiense (já naquela época os bolivarianos gostavam de viajar para países capitalistas). A doidinha mandava açoitar qualquer um, por qualquer motivo. Pretendia substituir a população feminina paraguaia, exterminando as recém-nascidas e as substituindo por escocesas.
O Brasil nunca havia se preocupado com o distante Paraguai, muito menos com seu poderio bélico. Jamais teve a intenção de destruir o país vizinho. Pelo contrário, o doidão bolivariano que declarou guerra ao Brasil após ter confiscado o navio Marquês de Olinda e invadido o pantanal mato-grossense com 7.700 soldados. O Brasil tinha menos de 900 soldados para vigiar toda a região. Os soldados brasileiros de um forte em Corumbá e seu comandante deram no pé. Fugiram de barco e a pé, demonstrando a bravura brasileira. Como no exército brasileiro só tinham miseráveis, tiveram que criar a campanha dos Voluntários da Pátria. Visconde de Taunay liderou a primeira marcha (a pé, mesmo!) com 2 mil soldados para o pantanal, depois de 8 meses da invasão. 600 soldados morreram de cólera, varíola, desnutrição e exaustão antes de chegarem aos campos de batalha. Boa parte das baixas durante a guerra, dos dois lados do front, foi por estes males.
O doidão paraguaio achou que venceria facilmente o Brasil (22 vezes mais populoso), sem precisar fazer nenhum acordo com os argentinos. Como não teve a concordância dos argentinos para passar pelo seu território para encurtar caminho até o Rio Grande do Sul, declarou guerra também contra los hermanos. Declarar guerra contra os dois maiores países da América do Sul é coisa de herói. Orgulho da Prof. Cicy! O resultado foi que, em maio de 1865, se formou a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) para se defenderem do Paraguai. Isso mesmo, para se defenderem! Graças às trapalhadas militares e estratégicas de Solano, os brasileiros venceram navios e 6 mil soldados paraguaios, camuflados nas margens do rio, na Batalha Naval do Riachuelo. A maior derrota paraguaia foi quando 17 mil soldados aliados libertaram a cidade de Uruguaiana do domínio do herói Solano. Machão como o Coronel Chávez, Solano não se rendeu para preservar a população e o que sobrara do país. Ao contrário, continuou por mais 5 anos comandando essa campanha suicida por acreditar que derrotaria os seus adversários. Começar uma guerra dessas e continuar nela sem a mínima chance de vencer é coisa de bolivariano louco!
A dívida de guerra brasileira (11 vezes a receita anual do país), ao contrário do que a Prof. Cicy ensina, era menos que 10% com estrangeiros. A maioria foi com banqueiros brasileiros e com a emissão de títulos públicos. A Inglaterra nunca teve interesse numa guerra, já que tinha investimentos e empresas nos países sul-americanos conflagrados. A estória da Guerra do Paraguai sempre foi um discurso político esquerdista contra os militares brasileiros e contra o capitalismo.
Em 1936, o ditador paraguaio Coronel Franco decretou a absolvição retroativa do Marechal Solano López, considerado traidor da pátria depois de sua derrota, e ainda mandou construir Lo Panteón Nacional de los Héroes, para onde foram transferidas suas supostas cinzas. Outro ditador paraguaio, General Strossner, mandou exumar o corpo da prostituta de Solano e o enterrou, com honras, em solo paraguaio.
Para terminar, sabe como Solano López foi reconhecido pelos soldados brasileiros no campo de batalha? Não? É simples; era o único gordinho. Todos os outros estavam subnutridos. Os bolivarianos merecem seus heróis.
* Tio Zeca é seca-pimenteira-senador que nunca conheceu o Paraguai. Seu ghost writer adora comprar na Casa China e ouvir Perla.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
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