sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Herói Bolivariano III

* Tio Zeca
tiozecacapitalista@ig.com.br
www.zecacapitalista.blogspot.com


A onda bolivariana que assolou o país com o nobre objetivo de “reparar erros históricos” e “promover a igualdade social” tem gerado polêmica em todos os rincões. Até mesmo nestas plagas, o pau comeu quando alguns queriam novo feriado em nosso calendário, o Dia da Consciência Negra, e outros - a maioria - não quiseram. O “Dia” é comemorado em muitas cidades brasileiras na data de aniversário de morte do herói Zumbi dos Palmares, quase um santo para os bolivarianos. Ao herói Zumbi se atribui o espírito humanista, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Os bolivarianos transformaram Zumbi numa espécie de primeiro líder socialista da América Latina, e o Quilombo dos Palmares, em uma sociedade igualitária de seus sonhos. Em Palmares, ensinava a Prof. Cicy, não havia desníveis sociais, plantavam-se alimentos diversos e a comida era abundante. Fora de Palmares, era a economia exploradora e colonial que predominava. A monocultura, a exploração do trabalho pelo capital e classes sociais opressoras e oprimidas era o que existia fora dos limites do quilombo. Ou seja, em Palmares, tudo de bom, fora de lá, tudo de ruim. Os bolivarianos tentam caracterizar Palmares como a primeira luta de classes na história do Brasil e é por isso que podemos ver diversos deles pedindo cotas raciais e feriados. Não por “reparação dos erros históricos”, mas pela ideologia marxista que contaminou irreversivelmente a mente dessa gente. Nas entrelinhas, a sociedade igualitária (comunista) seria possível voltar a existir no Brasil. Quer saber o que os bolivarianos escondem desta história de Zumbi? Vamos lá.

O herói Zumbi mandava capturar escravos de fazendas vizinhas para que eles trabalhassem forçados no Quilombo dos Palmares. O herói também sequestrava mulheres, “produto” raro naquelas primeiras décadas do Brasil. Zumbi tinha escravos. Tinha “palácio” e casas para a família, e era assistido por guardas e oficiais, tratado com honras de senhor. Para chegarem à sua presença, só se se pusessem de joelhos no chão. Era chamado de “majestade”. Quem não pagasse tributos aos palmeristas – em mantimentos, armas e dinheiro – corria o risco de ter sua propriedade saqueada, suas plantações incendiadas e seus escravos sequestrados. O quilombo mais parecia a um povoado africano, com hierarquia rígida entre os reis e seus servos, do que a uma “sociedade igualitária”, como quer a Prof. Cicy e seus companheros bolivarianos.

Um acordo de paz havia sido celebrado pelo governador de Pernambuco e Ganga Zumba, tio de Zumbi. Os portugueses não atacariam mais o quilombo em troca da devolução dos moradores que não tivessem nascido em Palmares e a transferência do quilombo para local mais distante. O herói Zumbi parece ter preferido guerra, o que provocou a destruição do quilombo. Os bolivarianos tentam transformar o tio em traidor e Zumbi no herói, associando a ele os valores da guerra, da coragem, da resistência, do destemor às forças coloniais.

Pior que trair a história verdadeira, é usar uma enorme massa de pessoas mal informadas e iludidas pela “reparação dos erros” e pela “igualdade social” para tentar tornar realidade o sonho ideológico bolivariano. É isso que os governantes bolivarianos tem feito, com muito empenho. Coitados daqueles que são contra o Dia do Herói Zumbi – passam a ser vistos como o “traidor” Ganga Zumba. Mais coitado ainda, o povo que se deixa iludir pela utopia socialista e pela “boa intenção” de nossos governantes.

* Tio Zeca é seca-pimenteira-senador que adora os heróis em quadrinhos, mesmo os americanos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Herói Bolivariano II

* Tio Zeca
tiozecacapitalista@ig.com.br
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Prof. Cicy não aguenta tanta emoção quando se lembra do herói bolivariano Luiz Carlos Prestes. Junta água nos olhinhos. Se tem um comunista tupiniquim tão adorado e venerado por outros comunistas (só por eles) é o tal criador da Coluna Prestes. Seus trabalhos revolucionários se iniciaram em 1924, liderando uma rebelião de militares gaúchos e só acabaram quando ele foi chamado para a morada do capeta, em 1990. A história de Prestes e sua famosa Coluna não é contada só pela Prof. Cicy, na versão romântico-mentirosa socialista. Também é contada na versão capitalista. Quer saber esta outra versão? Então lá vai.

A revolta de jovens militares, conhecida como tenentismo, se iniciou em São Paulo, em 1924. Depois de serem bombardeados por tropas federais usando aviões, deram no pé e vieram bater em Foz do Iguaçu. Ao se encontrarem com a gauchada rebelada, formaram uma poderosa frente de combate a São Paulo ou Rio? Que nada! Fizeram algo mais “útil”: montaram uma Coluna e seguiram viagem para regiões remotas, muito pobres e sem proteção, no interiorzão do Brasil. Andaram e cavalgaram do Paraná para Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, todos os estados nordestinos e, fugindo, chegaram à Bolívia e Paraguai. Nossa Prof. Cicy ensinava que eles queriam “ver de perto” a exploração do povão pelos líderes econômicos locais, denunciar a miséria e conscientizar a população. Ela falava que esses visionários queriam “libertar” o povo. No fundo queriam arregimentar soldados para enfrentar o exército brasileiro, contudo, nunca tiveram apoio popular. Também pudera, por onde passavam saqueavam, roubavam, incendiavam, torturavam, extorquiam, estupravam e matavam. Quando sabiam da proximidade da Coluna, o povo dava no pé, fugia. A maioria dos integrantes da Coluna queria se aventurar e tirar proveito de cidades sem proteção do Estado.

Depois de amedrontar o Brasil, o herói Prestes fugiu pra Argentina e de lá foi para a União Soviética buscar o apoio do maior tirano da história da humanidade: Josef Stálin. Voltou com um time de conspiradores estrangeiros de “1° mundo” que viviam no Rio de Janeiro e se comunicavam através de bilhetes cheios de códigos. Todos recebiam “salários” e verbas enviadas diretamente por Stálin.

O herói Prestes tentou apoiar um golpe, iniciado por militares no nordeste, para derrubar Getúlio Vargas. Disparou mensagens codificadas para sua rede de contatos dando a data do golpe. Acontece que sua rede já havia sido desmantelada pelo governo e seus bilhetes foram um tiro no pé dos revolucionários. Por sua incompetência, a revolta foi derrotada antes mesmo de começar, ganhando o apelido de Intentona Comunista. Com a polícia no seu encalço, deu no pé com sua esposa-revolucionária-terrorista Olga Benário, judia alemã, deixando para trás centenas de documentos sobre a conspiração no interior do cofre de seu apartamento. Inteligente este herói bolivariano! Resultado: Prestes e Olga foram presos em 9 de março de 1936. Olga foi extraditada, grávida de sete meses, para a Alemanha nazista. Morreu 6 anos depois numa câmara de gás, desprezada pelos camaradas soviéticos, que odiavam revolucionários fracassados.

O herói Prestes também foi o responsável pela morte de Elza, codinome de Elvira Cupello Calônio, jovem empregada doméstica que entrou para o movimento por influência do namorado. Desconfiado de que ela traia o grupo, o herói a julgou e a condenou, através de um bilhete. Pena de morte! Foi enforcada e depois teve diversos ossos quebrados para o corpo poder caber num pequeno saco. Prestes e seus 3 comparsas foram condenados a penas de 20 a 30 anos de prisão pelo assassinato de Elza, mas anistiados por Getúlio Vargas, em 1945. Todos ficaram livres, então.

A guerrilha promovida pelos camaradas só fez piorar a agressividade do regime militar. Os guerrilheiros nunca lutaram pela liberdade, queriam a “ditadura do proletariado”. Se seus sonhos comunistas se realizassem, hoje o Brasil seria um Cubão, um Coreião do Norte ou, no mínimo, uma Venezuelão. Graças às trapalhadas, erros e atos irresponsáveis do herói Prestes que prejudicaram o próprio movimento, ficamos livres daqueles seus ideais maravilhosos. O sonho acabou, para nossa sorte, embora alguns dinossauros políticos ainda acreditem nele. Que este sonho comunista (socialista, bolivariano ou como queira chamar) se transforme em pesadelo eleitoral para a candidata Coroa, para a Prof. Cicy e outras coroas ideológicas.

* Tio Zeca é seca-pimenteira-senador que adora os heróis do Quarteto Fantástico.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Herói Bolivariano I

* Tio Zeca
tiozecacapitalista@ig.com.br
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Não só as pessoas normais têm seus heróis e heroínas, como também os bolivarianos. Contudo, estes heróis bolivarianos têm uma biografia um tanto controversa para as pessoas normais. Um dos mais célebres é Solano López, ditador paraguaio na época da Guerra do Paraguai. Prof. Cicy sempre ensinou que o Brasil matou 95% da população masculina paraguaia, que sobraram somente mulheres e crianças, e que a Inglaterra queria que o Brasil destruísse o Paraguai (seria uma potência em crescimento ameaçador). Isso mesmo. O Paraguai estaria desafiando o imperialismo inglês e nós, brasileiros, beligerantes e bobinhos que somos, entramos na peleia com a ajuda de los hermanos argentinos e uruguaios. O herói Solano teria nacionalizado as terras de latifúndios poderosos que exploravam os menos favorecidos. Entramos numa dívida de guerra impagável, irresponsabilidade de nossos militares ambiciosos. Tudo culpa do imperialismo inglês e da cobiça capitalista anglo-tupiniquim. Sabe qual é a outra versão da história? Vamos lá.

O Paraguai, naquela época, tinha um sistema de poder muito interessante, apesar de ser uma República. O cargo de presidente era vitalício e hereditário, como adoram os esquerdistas. Carlos López, pai de Solano, havia escolhido como seu sucessor o mais competente de seus filhos – Angel Begnino. O moribundo presidente Carlos foi convencido por Solano, sabe lá como, a mudar sua decisão e o tornou seu sucessor. A família era dona de quase 90% das terras do Paraguai. O país exportava somente erva-mate, tabaco e madeira, e para entrar no negócio, só se fosse compañero do presidente. Não havia fábricas, pois os empresários tinham sido expulsos do país, por medo que conspirassem contra o governo. Quase todos os produtos industrializados tinham que ser importados. O herói bolivariano Solano López também era doidão, cheio de complexo de superioridade, vaidoso, bipolar e corrupto. Com a guerra perdida e obcecado por supostas conspirações contra seu governo, mandou matar o próprio irmão. O herói era casado com uma prostituta irlandesa que conheceu em um cabaré parisiense (já naquela época os bolivarianos gostavam de viajar para países capitalistas). A doidinha mandava açoitar qualquer um, por qualquer motivo. Pretendia substituir a população feminina paraguaia, exterminando as recém-nascidas e as substituindo por escocesas.

O Brasil nunca havia se preocupado com o distante Paraguai, muito menos com seu poderio bélico. Jamais teve a intenção de destruir o país vizinho. Pelo contrário, o doidão bolivariano que declarou guerra ao Brasil após ter confiscado o navio Marquês de Olinda e invadido o pantanal mato-grossense com 7.700 soldados. O Brasil tinha menos de 900 soldados para vigiar toda a região. Os soldados brasileiros de um forte em Corumbá e seu comandante deram no pé. Fugiram de barco e a pé, demonstrando a bravura brasileira. Como no exército brasileiro só tinham miseráveis, tiveram que criar a campanha dos Voluntários da Pátria. Visconde de Taunay liderou a primeira marcha (a pé, mesmo!) com 2 mil soldados para o pantanal, depois de 8 meses da invasão. 600 soldados morreram de cólera, varíola, desnutrição e exaustão antes de chegarem aos campos de batalha. Boa parte das baixas durante a guerra, dos dois lados do front, foi por estes males.

O doidão paraguaio achou que venceria facilmente o Brasil (22 vezes mais populoso), sem precisar fazer nenhum acordo com os argentinos. Como não teve a concordância dos argentinos para passar pelo seu território para encurtar caminho até o Rio Grande do Sul, declarou guerra também contra los hermanos. Declarar guerra contra os dois maiores países da América do Sul é coisa de herói. Orgulho da Prof. Cicy! O resultado foi que, em maio de 1865, se formou a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) para se defenderem do Paraguai. Isso mesmo, para se defenderem! Graças às trapalhadas militares e estratégicas de Solano, os brasileiros venceram navios e 6 mil soldados paraguaios, camuflados nas margens do rio, na Batalha Naval do Riachuelo. A maior derrota paraguaia foi quando 17 mil soldados aliados libertaram a cidade de Uruguaiana do domínio do herói Solano. Machão como o Coronel Chávez, Solano não se rendeu para preservar a população e o que sobrara do país. Ao contrário, continuou por mais 5 anos comandando essa campanha suicida por acreditar que derrotaria os seus adversários. Começar uma guerra dessas e continuar nela sem a mínima chance de vencer é coisa de bolivariano louco!

A dívida de guerra brasileira (11 vezes a receita anual do país), ao contrário do que a Prof. Cicy ensina, era menos que 10% com estrangeiros. A maioria foi com banqueiros brasileiros e com a emissão de títulos públicos. A Inglaterra nunca teve interesse numa guerra, já que tinha investimentos e empresas nos países sul-americanos conflagrados. A estória da Guerra do Paraguai sempre foi um discurso político esquerdista contra os militares brasileiros e contra o capitalismo.

Em 1936, o ditador paraguaio Coronel Franco decretou a absolvição retroativa do Marechal Solano López, considerado traidor da pátria depois de sua derrota, e ainda mandou construir Lo Panteón Nacional de los Héroes, para onde foram transferidas suas supostas cinzas. Outro ditador paraguaio, General Strossner, mandou exumar o corpo da prostituta de Solano e o enterrou, com honras, em solo paraguaio.

Para terminar, sabe como Solano López foi reconhecido pelos soldados brasileiros no campo de batalha? Não? É simples; era o único gordinho. Todos os outros estavam subnutridos. Os bolivarianos merecem seus heróis.


* Tio Zeca é seca-pimenteira-senador que nunca conheceu o Paraguai. Seu ghost writer adora comprar na Casa China e ouvir Perla.