* Tio Zeca
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Tem gente que nasceu virado pra lua. Outros, mais sortudos, com a lua dentro de si. Já nossos hermanos argentinos estão com uma urucubaca braba. Não acertam uma, têm um puto azar, mas não perdem a pompa. No passado, los macaquitos (como os brasileiros são chamados pelos hermanos) diziam maldosamente que aquela gente ao sul do Rio de la Plata era um bando de italianos falando espanhol e pensando serem ingleses. Maldade pura. Também tem muitos índios por lá.
Temos muitas afinidades e coisas em comum com os argentinos. Os gringos (aqueles do Império - EUA) até pouco tempo atrás pensavam que a capital do Brasil era Buenos Aires. Talvez os mais antigos ainda pensem assim. A rivalidade Brasil – Argentina está quase restrita aos campos de futebol. Nos gramados, um quer o couro do outro, embora o Brasil tenha levado a melhor na maioria das vezes. Nos campos de guerra, já chegamos a ser aliados. Precisamos nos unir, formar uma tríplice aliança – Brasil, Argentina e Uruguai, para poder vencer os paraguaios. Na área comercial, mantemos um bom relacionamento e somos grandes parceiros. Outra afinidade que tínhamos com los hermanos era de nossos maiores cantores, conhecidos internacionalmente, não terem nascido em nossos países. Carmem Miranda era portuguesa e Carlos Gardel era espanhol. Isto pouco importava para nosso orgulho nacionalista.
Entretanto, está na hora de nos afastar um pouco deles: los hermanos pegaram uma urucubaca bolivariana de dificílimo exorcismo. Parece que não tem cura. Nem com reza braba será fácil livrá-los de seus políticos populistas bolivarianos (olha a redundância). Dia desses, um seca-senador direitista fez um retrospecto de alguns momentos recentes de extremo azar que nossos hermanos passaram.
O primeiro momento foi quando os doidões governantes argentinos tentaram tomar posse de três ilhotas no Canal de Beagle, lá no fim do mundo, ao sul do Estreito de Magalhães, Tierra del Fuego. A coisa quase pegou fogo. Nessa época, a Argentina era governada pelo militar golpista Jorge Rafael Videla que tomou à força o governo de Isabelita Perón, mulher do maior populista (e bolivariano) argentino – Juan Domingo Perón. Por puro “azar”, os ingleses fizeram um laudo arbitral confirmando a posse do Chile sobre as ilhas, em 1977. Hermanos e chilenos quase entraram em guerra, em 1978, por causa das ilhotas Nueva, Picton e Lennox. O segundo momento que confirma a urucubaca argentina se refere ao mesmo episódio da história. Na esperança de tomarem as ilhas “estratégicas”, concordaram com a mediação do Papa. Adivinha no que deu?! Pau, de novo. O Papa disse que as ilhas pertenciam ao Chile. É muito azar!
Mágoa hermana dos ingleses, obsessão argentina por ilhas, governantes alouprados; tudo isso junto resultou numa nova grande idéia: invadir as Ilhas Falkland (Malvinas, para os argentinos). Sabe o resultado? Tomaram pau novamente, claro! Morreram quase 700 soldados, mais de 11 mil hermanos foram feitos prisioneiros, submarino e navios afundados, quase que toda a frota aérea abatida, humilhação internacional, dívida de guerra monstruosa e outras tantas perdas. Los macaquitos brincavam com a arrogância porteña: falavam que os argentinos não perderam a guerra, ficaram em segundo lugar. Margaret Thatcher e seu gabinete se consolidaram no governo inglês e a Argentina voltou à democracia. Parecia que o mau agouro acabara. Que nada!
Depois de anos com Menem el Costeletón e uma porção de presidentes relâmpagos (chegou a ter 4 presidentes em 3 anos), surgiram os salvadores bolivarianos da pátria: casal Kirchner. Los hermanos são vidrados em casais presidenciais: Perón e Evita, Perón e Elisabelita, Néstor Vesgón Kirchner e Cristina Botox.
Aos moldes da mais alta casta bolivariana, Cristina Botox quer censurar a imprensa, gastar muito mais do que arrecada, aparelhar o Estado com seus compañeros, culpar o capitalismo por todas as mazelas argentinas. Chegou a inventar o corralito e a impedir a exportação de produtos agrícolas para controlar a inflação galopante. A última de suas grandes idéias foi tentar tomar o dinheiro do banco central para pagar umas contitas. Levou pau! São tantas boas idéias dessa gente que o Dr. Magalha defende a seguinte tese: os bolivarianos são muito mais criativos que os capitalistas. A prof. Cicy garante que eles também são muito mais inteligentes. Coisas de América del Sur.
Depois de tantas evidências do azar que assola los hermanos, os direitistas estão se benzendo para que o Brasil não se contamine e mantenha distância da urucubaca bolivariana (e da Coroa terrorista também).
* Tio Zeca é seca-pimenteira-senador, apreciador de bife de churizo, viño Catena Zapata e de Astor Piazzolla. Seu ghost writer prefere Mercedes Sosa.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
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