* Tio Zeca
tiozecacapitalista@ig.com.br
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Atenção! Essa nota de esclarecimento é dirigida aos bolivarianos e seus simpatizantes. Se você é um deles, tome uma maracujina antes de ler (e espere fazer efeito).
Tio Zeca, acredito que também o editor deste jornal, recebeu reclamações de pessoas que pensam ser o Dr. Magalha. Precisamente: um articulista e 3,5 dos seus 14,5 leitores, mais duas outras pessoas que não querem se identificar. Devo esclarecer que o Dr. Magalha é apenas um personagem de ficção e que o objetivo do Tio não é causar constrangimento a ninguém. Também, não quer promover uma disputa entre os bolivarianos para ver quem encarna melhor o papel do Dr. A “briga” não é de rua, só de idéias, com muito humor, para deixar o assunto mais leve, mas sem deixar de lado temas sérios.
Tio Zeca é de extrema-direita, como seria friamente classificado por qualquer neo-socialista. Não é do PSDB, de FHC, nem “social-democrata”, muito menos do novo PSDB – partido social-democrata bolivariano, ou qualquer coisa assim. Tio Zeca é fundador do POC – partido oposicionista e do contra. É contra o socialismo, comunismo, populismo, lulismo, chavismo, castrismo e bolivarianismo, mesmo que digam que existem diferenças entre cada um. Para ele, é tudo igual (bolivariano), só muda o nome e a maquiagem, para ficar menos feio. Também, critica os que se classificam como sendo de “centro”. Ninguém entende o “ser de centro”. Para o Tio, essa turma não tem, não quer ter, ou tem medo de ter opinião. Parece badalo de relógio, de um lado para o outro. Sem essa de ficar no muro: ou é, ou não é! Poc, Poc.
O Tio adora rir da bipolaridade dos bolivarianos que criticam o capitalismo, mas adoram os seus frutos. Daqueles que falam mal das empresas multinacionais, mas que não sabem viver sem seus produtos e serviços. Dos que falam mal do lucro, mas compram ações da Vale. Ele critica, corajosamente, as mazelas políticas brasileiras e aqueles que parecem camaleões, mudando de opinião conforme conveniência. O Tio não declara seu voto, não o justifica tão pouco o alardeia; vota com consciência, não por obrigação. Nunca no partido, por convicção.
Rola de rir dos bolivarianos inocentes que afirmam que a Europa é “social-democrata” (é do novo PSDB; mas será o Benedito?!). A Europa que sobreviveu é aquela capitalista, da economia de mercado, da liberdade irrestrita do cidadão e da imprensa. A Europa “social” ruiu há 20 anos, com o seu muro. A cortina socialista de ferro enferrujou. Se essa Europa social fosse boa, não precisava de muro, nem de 30 mil soldados impedindo a debandada do povo para o seu lado selvagem: o lado capitalista.
Enfim, para evitar que a carapuça seja disputada a tapa por tantos bolivarianos, o Dr. Magalha sairá de cena um dia, a maneira das novelas globais. Tio Zeca é a Janete Clair do Página Um: faz nascer e morrer qualquer figura de ficção. Depois, o ressuscita ou o transforma, definitivamente, em pó, desde que a censura não tenha dó. Se o tempo (e o dono do jornal) deixar, você vai conhecer os novos personagens que personificam o jeito de ser do bolivariano. É só acompanhar. E o leitor, ansioso, vai se perguntar: “- Afinal, quem matou Salomão Ayala?”.
Mas, não se esqueça: o Tio Zeca também é um personagem. Portanto, a turma da extrema-direita que pare de disputar quem é mais parecido com ele. Ninguém vai conseguir ser tão parecido.
* Tio Zeca é seca-senador que adora viajar aos EUA para comprar camisas Ralph Lauren (por um terço do preço no Brasil). Sempre traz uma de presente para o seu ghost writer.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Geneve e Genova
* Tio Zeca
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Dr. Magalha é um bom filho. Ninguém tem dúvida disso. Resolveu fazer uma surpresa pra mamãe: dar-lhe um cruzeiro de travessia transatlântica, da Europa para o Brasil. Tudo que qualquer bolivariano adoraria fazer. Para ficar mais econômico, comprou o pacote com bastante antecedência e usou seus pontos do cartão de crédito American Express Platinum para a passagem aérea. Como a compra antecipada dava direito a levar um segundo passageiro de graça, mamãe resolveu levar sua amiga Léia.
Quando lhe perguntaram: “- E pra sua sogra, não vai dar nada?”, respondeu na hora e com o peito estufado: “- Já dei. Comprei pra ela uma passagem para a Ilha de Cracatoa, de presente de aniversário de 70 anos”. Admirado com tamanha generosidade do Dr., continuou: “- Nossa! E quando ela fizer 80 anos, o que você vai dar?”. Responde rindo: “- A passagem de volta”.
Só que a maior surpresa estava por vir. Eles iriam se encontrar no meio da viagem. Você acha que o Dr. iria perder uma viagenzinha dessa pelos mares europeus? Fez a bagagem: tênis Nike, novinho em folha, comprado no free-shop de Madrid, uma camiseta do Che Guevara, a toca com o escudo do Vasco, para proteger-se do sol, uma sunga vermelha, para aproveitar a piscina, o terno Armani, para o jantar com o capitão e a máquina fotográfica Canon, de 36 mega pixels, comprada no free-shop de Ponta Grossa.
Elas embarcaram felizes com destino a Europa. O navio partiria em dois dias, do porto de Genova, na Itália. Ao chegar, todo aquele trâmite burocrático: alfândega e imigração. Mas, algo estava meio estranho. As placas estavam escritas em algum dialeto italiano que não dava pra entender. Também não conseguiam entender nenhuma palavra que lhes dirigiam. Mas, a alegria era tamanha, que nem ligaram para esse detalhe. Não viam a hora de embarcar naquele enorme navio, cheio de luxo, com tudo de bom dentro dele.
Tomaram o primeiro taxi e Dona Léia logo saiu falando em italiano: “- Per favore, hotel Inter-Americano”. Responde o sisudo taxista, no que parece ser o dialeto local: “- Hotel Interamericano. Ja, ich komme in einer Minute an”. Foram apreciando a paisagem, conversando animadas sobre tudo e todos. Ao chegarem ao enorme hotel Interamericano, D. Léia pergunta ao taxista, gastando todo seu italiano: “- Quanto é?”. O taxista, sem pronunciar uma única palavra, mostra-lhes o taxímetro. Elas pegam uma nota de 50 Euros e tentam lhe entregar. Ele faz sinal de não e fala com certa irritação: “- Ich akzeptiere nicht Euro”. A discussão segue mais ou menos assim:
“- Mas que diacho de dialeto italiano é esse?”
“- Madam, Ich nehme keine Euro auf”.
“- La plata. Mira su plata”.
“- Nein, Madam, Ich nehme keine Euro. Ich möchte Schweizer Franken”.
“- Schweizer Franken?! Che cosa é?”Responde o taxista, já com ânimo alterado: “- Das macht nichts”, e pega o dinheiro. Mal espera as jovens senhoras tirarem suas bagagens do porta-malas e sai cantando pneus. “- Como são grosseiros esses taxistas italianos, Leinha!”.
Elas entram no majestoso saguão do hotel, digno só da elite das elites do partido. Embasbacadas com tamanho luxo, enlouquecem. Girando com os braços abertos, olhando para os lustres de cristal Bacará, tapetes persas, vasos Ming... “- Leiiinha, que M-A-R-A-V-I-L-H-A esse hotel que o Magalhinha nos colocou!”. Na recepção, sacam o voucher e o entregam ao simpático recepcionista que sai digitando o nome delas no computador. Nada registrado. Digitou o código da reserva. Nada. Olhou melhor no que estava escrito e tenta se comunicar com D. Léia, que é poliglota. Explica que o voucher é do hotel Inter-Americano, de Genova, Itália. Ela responde, indignada: “- Ora, e você acha que eu não sei? Afinal, nós não estamos no hotel Inter-Americano de Genova, Itália?”. Constrangido, ele responde: “- Não, madam. Estamos no hotel Interamericano de Geneve, Suíça”. Minuto de silêncio. Frio na barriga. Não é que o Dr. Magalha trocou Genova por Geneve! Os códigos dos aeroportos são parecidíssimos: GOA e GVA. Por mais viajado que possa ser, todo social-democrata bolivariano pode cometer um pequeno erro como este. Elas correram tomar o primeiro trem a tempo de chegarem ao porto de Genova, na Itália, e embarcar no cruzeiro dos sonhos. Dr. Magalha, sem saber o que estava acontecendo com mamãe e D. Léia, continuava pesquisando o capitalismo selvagem, desta vez nos vinhedos da Borgonha.
* Tio Zeca é seca-senador com profunda experiência em cruzeiros. Quando está em alto mar, seu ghost writer aproveita pra escrever qualquer coisa. Dr. Magalha é ficção.
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Dr. Magalha é um bom filho. Ninguém tem dúvida disso. Resolveu fazer uma surpresa pra mamãe: dar-lhe um cruzeiro de travessia transatlântica, da Europa para o Brasil. Tudo que qualquer bolivariano adoraria fazer. Para ficar mais econômico, comprou o pacote com bastante antecedência e usou seus pontos do cartão de crédito American Express Platinum para a passagem aérea. Como a compra antecipada dava direito a levar um segundo passageiro de graça, mamãe resolveu levar sua amiga Léia.
Quando lhe perguntaram: “- E pra sua sogra, não vai dar nada?”, respondeu na hora e com o peito estufado: “- Já dei. Comprei pra ela uma passagem para a Ilha de Cracatoa, de presente de aniversário de 70 anos”. Admirado com tamanha generosidade do Dr., continuou: “- Nossa! E quando ela fizer 80 anos, o que você vai dar?”. Responde rindo: “- A passagem de volta”.
Só que a maior surpresa estava por vir. Eles iriam se encontrar no meio da viagem. Você acha que o Dr. iria perder uma viagenzinha dessa pelos mares europeus? Fez a bagagem: tênis Nike, novinho em folha, comprado no free-shop de Madrid, uma camiseta do Che Guevara, a toca com o escudo do Vasco, para proteger-se do sol, uma sunga vermelha, para aproveitar a piscina, o terno Armani, para o jantar com o capitão e a máquina fotográfica Canon, de 36 mega pixels, comprada no free-shop de Ponta Grossa.
Elas embarcaram felizes com destino a Europa. O navio partiria em dois dias, do porto de Genova, na Itália. Ao chegar, todo aquele trâmite burocrático: alfândega e imigração. Mas, algo estava meio estranho. As placas estavam escritas em algum dialeto italiano que não dava pra entender. Também não conseguiam entender nenhuma palavra que lhes dirigiam. Mas, a alegria era tamanha, que nem ligaram para esse detalhe. Não viam a hora de embarcar naquele enorme navio, cheio de luxo, com tudo de bom dentro dele.
Tomaram o primeiro taxi e Dona Léia logo saiu falando em italiano: “- Per favore, hotel Inter-Americano”. Responde o sisudo taxista, no que parece ser o dialeto local: “- Hotel Interamericano. Ja, ich komme in einer Minute an”. Foram apreciando a paisagem, conversando animadas sobre tudo e todos. Ao chegarem ao enorme hotel Interamericano, D. Léia pergunta ao taxista, gastando todo seu italiano: “- Quanto é?”. O taxista, sem pronunciar uma única palavra, mostra-lhes o taxímetro. Elas pegam uma nota de 50 Euros e tentam lhe entregar. Ele faz sinal de não e fala com certa irritação: “- Ich akzeptiere nicht Euro”. A discussão segue mais ou menos assim:
“- Mas que diacho de dialeto italiano é esse?”
“- Madam, Ich nehme keine Euro auf”.
“- La plata. Mira su plata”.
“- Nein, Madam, Ich nehme keine Euro. Ich möchte Schweizer Franken”.
“- Schweizer Franken?! Che cosa é?”Responde o taxista, já com ânimo alterado: “- Das macht nichts”, e pega o dinheiro. Mal espera as jovens senhoras tirarem suas bagagens do porta-malas e sai cantando pneus. “- Como são grosseiros esses taxistas italianos, Leinha!”.
Elas entram no majestoso saguão do hotel, digno só da elite das elites do partido. Embasbacadas com tamanho luxo, enlouquecem. Girando com os braços abertos, olhando para os lustres de cristal Bacará, tapetes persas, vasos Ming... “- Leiiinha, que M-A-R-A-V-I-L-H-A esse hotel que o Magalhinha nos colocou!”. Na recepção, sacam o voucher e o entregam ao simpático recepcionista que sai digitando o nome delas no computador. Nada registrado. Digitou o código da reserva. Nada. Olhou melhor no que estava escrito e tenta se comunicar com D. Léia, que é poliglota. Explica que o voucher é do hotel Inter-Americano, de Genova, Itália. Ela responde, indignada: “- Ora, e você acha que eu não sei? Afinal, nós não estamos no hotel Inter-Americano de Genova, Itália?”. Constrangido, ele responde: “- Não, madam. Estamos no hotel Interamericano de Geneve, Suíça”. Minuto de silêncio. Frio na barriga. Não é que o Dr. Magalha trocou Genova por Geneve! Os códigos dos aeroportos são parecidíssimos: GOA e GVA. Por mais viajado que possa ser, todo social-democrata bolivariano pode cometer um pequeno erro como este. Elas correram tomar o primeiro trem a tempo de chegarem ao porto de Genova, na Itália, e embarcar no cruzeiro dos sonhos. Dr. Magalha, sem saber o que estava acontecendo com mamãe e D. Léia, continuava pesquisando o capitalismo selvagem, desta vez nos vinhedos da Borgonha.
* Tio Zeca é seca-senador com profunda experiência em cruzeiros. Quando está em alto mar, seu ghost writer aproveita pra escrever qualquer coisa. Dr. Magalha é ficção.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Dr. Magalha é minha Miss
* Tio Zeca
tiozecacapitalista@ig.com.br
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Um dos debates mais acalorados do senadinho foi sobre o perfil psicológico dos neo-socialistas bolivarianos. Começou quando um seca-senador disse que existe diferença entre comunista, socialista e bolivariano. Defendeu que a diferença está, basicamente, no cardápio dos comunistas, que preferem criancinhas. Nesse momento, o pau quebrou. A ala bolivariana do senadinho ficou indignada com a baixaria do seca-senador burguês. Com a imediata intervenção dos membros do PM (Partido do Muro), colocou-se água fria na fervura. O dia estava prometendo ser quente.
O seca-senador burguês continuou definindo essa gente interessante: os bolivarianos. “- Os bolivarianos adoram dividir, o que é dos outros. São favoráveis à democracia, desde que não discordem deles. Eles adoram a liberdade de imprensa, aquela que está livre somente para os elogiar. Educar é sua vocação: querem que a cartilha bolivariana seja aplicada desde a pré-escola. Para o bem do povo e a felicidade geral da nação, aliam-se a grandes estrelas políticas de extrema direita (você já está cansado de conhecer). Entendem muito de moda: conseguem combinar tênis Nike e jeans Diesel com camiseta do Che Guevara. Defendem a não extradição do assassino Cesare Battisti (já não chega os que temos aqui?). Criticam com veemência a Veja e a Globo por noticiarem algum escândalo que algum companheiro tenha se metido. Têm habilidade ímpar de se envolverem em escândalos de corrupção, formação de quadrilha, apropriação indébita...
Nessa hora, o pau comeu de novo. Dr. Magalha, líder da neo-esquerda, interrompeu o burguês dizendo que era exercício ilegal da profissão um “leigo” analisar a psique dos bolivarianos. Depois de nova eficaz ação da bancada do Muro para baixar a fervura, continuou em sua análise... “- O Bolivariano gosta das coisas boas, principalmente se não tiver que pagar. Vinhos de primeira, pratos bem-elaborados, carros de luxo, viagens na executive class, cartões de crédito corporativos (do governo e estatais). Detestam trabalhar duro. Se puderem, acordam depois das dez, já que ficaram até de madrugada estudando Marx, mesmo que não entendam nada. Adoram uma ONG, um sindicato, um movimentinho social. Apoiam o presidente do Irã, democraticamente eleito, que quer fabricar uma bomba atômica para fins “pacíficos”. Como é mesmo o nome dele? Almodis... Almofadin... Aladim? Sei lá, deixa pra lá. Defendem aquele outro doidão atômico de olhinhos puxados, dono da Coréia do Norte. Como é o seu nome? Kim Din Hoo? Sei lá, deixa também pra lá. Amam de paixão o Coronel Chaves, embora este sempre lhes pegue desprevenidos. Elogiam os companheiros Morales, Correa e Ortega como grandes líderes mundiais. Adoram pensar que o Governo é o protetor do povo e dos excluídos e “em seu nome” são capazes de rasgar qualquer constituição. Defendem os que invadem a propriedade privada, destroem plantações e roubam. Fazem “mensalões” com o objetivo nobre de manter a governabilidade. São vidrados em colocar a culpa no Império (os EUA) e em FHC de tudo de mau que acontece neste país. Provam, por A mais B, que Cuba é uma democracia moderna. Bradam palavras de ordem: “o petróleo é nosso” e “fora FMI” (em desuso no momento). Querem a Petro-Sal, nova estatal, a Vale e a Embraer de volta, além de todas as outras ex-estatais que agora dão lucro. Gostam de cuecas largas, que cabem mais dólares”...
“- Para aí. Já chega!”, interrompe o nobre Seca-Senador-Dr.: “- Só falta Vossa Excelência falar que a Coroa também usa cueca larga?!”. Por falta de condições de segurança, o líder dos muralistas sugeriu encerrar a seção. Já não havia mais água fria para colocar na fervura.
Tem seca-senador da extrema-direita que acredita que todo bolivariano é pilantra. Outros, da direita, acham que só a grande maioria é pilantra. Os do Partido do Muro não sabem bem o que acham. Depende. Pode ser que sim, pode ser que não – muito pelo contrário. Eu acho que o meu amigo, Dr. Magalha, só é meio inocente (nada mais), igual Miss ao responder a pergunta clássica: “- Qual é o seu desejo?”
“- Ah, eu desejo o fim da miséria e a paz mundial”. Dr. Magalha é a minha Miss predileta.
* Tio Zeca é membro da Comissão Permanente de Regulamentação de Concursos de Miss do senadinho. Dr. Magalha é apenas um personagem; só ficção.
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Um dos debates mais acalorados do senadinho foi sobre o perfil psicológico dos neo-socialistas bolivarianos. Começou quando um seca-senador disse que existe diferença entre comunista, socialista e bolivariano. Defendeu que a diferença está, basicamente, no cardápio dos comunistas, que preferem criancinhas. Nesse momento, o pau quebrou. A ala bolivariana do senadinho ficou indignada com a baixaria do seca-senador burguês. Com a imediata intervenção dos membros do PM (Partido do Muro), colocou-se água fria na fervura. O dia estava prometendo ser quente.
O seca-senador burguês continuou definindo essa gente interessante: os bolivarianos. “- Os bolivarianos adoram dividir, o que é dos outros. São favoráveis à democracia, desde que não discordem deles. Eles adoram a liberdade de imprensa, aquela que está livre somente para os elogiar. Educar é sua vocação: querem que a cartilha bolivariana seja aplicada desde a pré-escola. Para o bem do povo e a felicidade geral da nação, aliam-se a grandes estrelas políticas de extrema direita (você já está cansado de conhecer). Entendem muito de moda: conseguem combinar tênis Nike e jeans Diesel com camiseta do Che Guevara. Defendem a não extradição do assassino Cesare Battisti (já não chega os que temos aqui?). Criticam com veemência a Veja e a Globo por noticiarem algum escândalo que algum companheiro tenha se metido. Têm habilidade ímpar de se envolverem em escândalos de corrupção, formação de quadrilha, apropriação indébita...
Nessa hora, o pau comeu de novo. Dr. Magalha, líder da neo-esquerda, interrompeu o burguês dizendo que era exercício ilegal da profissão um “leigo” analisar a psique dos bolivarianos. Depois de nova eficaz ação da bancada do Muro para baixar a fervura, continuou em sua análise... “- O Bolivariano gosta das coisas boas, principalmente se não tiver que pagar. Vinhos de primeira, pratos bem-elaborados, carros de luxo, viagens na executive class, cartões de crédito corporativos (do governo e estatais). Detestam trabalhar duro. Se puderem, acordam depois das dez, já que ficaram até de madrugada estudando Marx, mesmo que não entendam nada. Adoram uma ONG, um sindicato, um movimentinho social. Apoiam o presidente do Irã, democraticamente eleito, que quer fabricar uma bomba atômica para fins “pacíficos”. Como é mesmo o nome dele? Almodis... Almofadin... Aladim? Sei lá, deixa pra lá. Defendem aquele outro doidão atômico de olhinhos puxados, dono da Coréia do Norte. Como é o seu nome? Kim Din Hoo? Sei lá, deixa também pra lá. Amam de paixão o Coronel Chaves, embora este sempre lhes pegue desprevenidos. Elogiam os companheiros Morales, Correa e Ortega como grandes líderes mundiais. Adoram pensar que o Governo é o protetor do povo e dos excluídos e “em seu nome” são capazes de rasgar qualquer constituição. Defendem os que invadem a propriedade privada, destroem plantações e roubam. Fazem “mensalões” com o objetivo nobre de manter a governabilidade. São vidrados em colocar a culpa no Império (os EUA) e em FHC de tudo de mau que acontece neste país. Provam, por A mais B, que Cuba é uma democracia moderna. Bradam palavras de ordem: “o petróleo é nosso” e “fora FMI” (em desuso no momento). Querem a Petro-Sal, nova estatal, a Vale e a Embraer de volta, além de todas as outras ex-estatais que agora dão lucro. Gostam de cuecas largas, que cabem mais dólares”...
“- Para aí. Já chega!”, interrompe o nobre Seca-Senador-Dr.: “- Só falta Vossa Excelência falar que a Coroa também usa cueca larga?!”. Por falta de condições de segurança, o líder dos muralistas sugeriu encerrar a seção. Já não havia mais água fria para colocar na fervura.
Tem seca-senador da extrema-direita que acredita que todo bolivariano é pilantra. Outros, da direita, acham que só a grande maioria é pilantra. Os do Partido do Muro não sabem bem o que acham. Depende. Pode ser que sim, pode ser que não – muito pelo contrário. Eu acho que o meu amigo, Dr. Magalha, só é meio inocente (nada mais), igual Miss ao responder a pergunta clássica: “- Qual é o seu desejo?”
“- Ah, eu desejo o fim da miséria e a paz mundial”. Dr. Magalha é a minha Miss predileta.
* Tio Zeca é membro da Comissão Permanente de Regulamentação de Concursos de Miss do senadinho. Dr. Magalha é apenas um personagem; só ficção.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Apagão e Blackout
* Tio Zeca
tiozecacapitalista@ig.com.br
Tamanho susto e confusão, causados pelo apagão, que os líderes do partido logo saíram com as primeiras declarações. Uma delas foi de extrema clareza, feita pela simpaticíssima ministra coroa: “- Pra começar, apagão não é blackout e, consequentemente, blackout não é apagão. Apagão é quando falta luz. Blackout é quando falta energia”. Entendeu?
Os especialistas do governo dão explicações técnicas a imprensa. O ministro bobão das energias, que é advogado e político profissional, diz que a culpa é do raio que os partiu e que o caso está encerrado. Seu chefe, o cara (de poucas letras, segundo Caetano), diz que ainda não encerrou o caso, mas se Deus quiser, não vai acontecer mais neste país e que a culpa pode ter sido de Freud. O chefe informal do mesmo ministro, que é imortal na Academia e no Senado, não diz nada. O dono da maior usina hidrelétrica do mundo, que é agrônomo e ex-piqueteiro, diz que nunca antes na história deste país a usina se desligou totalmente – deve ser culpa das elites. Outros diretores companheiros da usina, um ex-bancário e outro ex-sindicalista, botam a culpa na senhora Intempérie, que é americana. A coroa, que quer mandar mais que Stalin, bota a culpa no FHC, mas no fundo acha que o Império tem um dedo nisso tudo.
A turma da direita, com peito estufado, pergunta onde foram tantos milhões de investimento em energia. Dez anos depois do apagão do FHC, finalmente deu um blackout no Lula? Tudo culpa do controle estatal, dos seus 7 órgãos e instituições redundantes, que controlam a energia do Brasil e não se entendem? Se o crescimento do Brasil era previsto e alardeado pelos companheiros, se dinheiro não faltou para os investimentos em transmissão, se São Pedro deixou os reservatórios cheios até a boca (errou a mão?), se as termoelétricas foram construídas e são mantidas como um seguro para prevenir apagões, se o consumo estava menor que no ano anterior, afinal, o que deu errado? Foi Santa Bárbara a culpada? Mas, será o Benedito? Claro que não, afirma a direita, com satisfação: foi incapacidade de gestão; foi incompetência.
Meu amigo engenheiro Maurício, que é especialista, diz que nenhum raio é capaz de derrubar três linhões de Itaipu. Nem com pau. Mas, então Juvenal, o que aconteceu?
Do lado paraguaio, as mesmas questões, só mudam os chefões. O bispo papão e companheiros colocam a culpa no Império dos brasileiros. São os imperialistas e as elites culpadas disso. Só podia; de quem mais seria?
Como patriotas que desejam que o cara e a coroa se aposentem, os da direita ligam todos seus aparelhos elétricos, a partir das 18 horas, e acendem as velas. Se vier o apagão, as velas já estão acesas; se não, continuam rezando.
* Tio Zeca é seca-senador que liga o aquecimento elétrico de sua piscina e o ar condicionado às 18 horas, todos os dias.
tiozecacapitalista@ig.com.br
Tamanho susto e confusão, causados pelo apagão, que os líderes do partido logo saíram com as primeiras declarações. Uma delas foi de extrema clareza, feita pela simpaticíssima ministra coroa: “- Pra começar, apagão não é blackout e, consequentemente, blackout não é apagão. Apagão é quando falta luz. Blackout é quando falta energia”. Entendeu?
Os especialistas do governo dão explicações técnicas a imprensa. O ministro bobão das energias, que é advogado e político profissional, diz que a culpa é do raio que os partiu e que o caso está encerrado. Seu chefe, o cara (de poucas letras, segundo Caetano), diz que ainda não encerrou o caso, mas se Deus quiser, não vai acontecer mais neste país e que a culpa pode ter sido de Freud. O chefe informal do mesmo ministro, que é imortal na Academia e no Senado, não diz nada. O dono da maior usina hidrelétrica do mundo, que é agrônomo e ex-piqueteiro, diz que nunca antes na história deste país a usina se desligou totalmente – deve ser culpa das elites. Outros diretores companheiros da usina, um ex-bancário e outro ex-sindicalista, botam a culpa na senhora Intempérie, que é americana. A coroa, que quer mandar mais que Stalin, bota a culpa no FHC, mas no fundo acha que o Império tem um dedo nisso tudo.
A turma da direita, com peito estufado, pergunta onde foram tantos milhões de investimento em energia. Dez anos depois do apagão do FHC, finalmente deu um blackout no Lula? Tudo culpa do controle estatal, dos seus 7 órgãos e instituições redundantes, que controlam a energia do Brasil e não se entendem? Se o crescimento do Brasil era previsto e alardeado pelos companheiros, se dinheiro não faltou para os investimentos em transmissão, se São Pedro deixou os reservatórios cheios até a boca (errou a mão?), se as termoelétricas foram construídas e são mantidas como um seguro para prevenir apagões, se o consumo estava menor que no ano anterior, afinal, o que deu errado? Foi Santa Bárbara a culpada? Mas, será o Benedito? Claro que não, afirma a direita, com satisfação: foi incapacidade de gestão; foi incompetência.
Meu amigo engenheiro Maurício, que é especialista, diz que nenhum raio é capaz de derrubar três linhões de Itaipu. Nem com pau. Mas, então Juvenal, o que aconteceu?
Do lado paraguaio, as mesmas questões, só mudam os chefões. O bispo papão e companheiros colocam a culpa no Império dos brasileiros. São os imperialistas e as elites culpadas disso. Só podia; de quem mais seria?
Como patriotas que desejam que o cara e a coroa se aposentem, os da direita ligam todos seus aparelhos elétricos, a partir das 18 horas, e acendem as velas. Se vier o apagão, as velas já estão acesas; se não, continuam rezando.
* Tio Zeca é seca-senador que liga o aquecimento elétrico de sua piscina e o ar condicionado às 18 horas, todos os dias.
Turismo Bolivariano
* Tio Zeca
Meu amigo, Dr. Magalha, é o seca-pimenteira mais secado que eu conheço. Basta ele não aparecer em uma seção dominical do senadinho que a especulação começa a correr solto: “- Ele foi pra onde desta vez?”. Não falta senador jogando um veneninho: “- Deve ter ido pesquisar o capitalismo selvagem em algum país de primeiro mundo!” (país de primeiro mundo capitalista é redundância). Mas, dessa vez não. De tanto os seca-senadores dizerem que ele não fazia turismo, nem pesquisa no outro mundo, só no primeiro, resolveu visitar dois paraísos socialistas bolivarianos latino-americanos. Como tinha muitos pontos acumulados em seu cartão Amex Platinum, poderia viajar na executive class, como de costume. Corpo de bolivariano acostuma fácil com o luxo.
Mas, o Dr. Magalha é um cara antenado. Ouviu falar que alguém tinha lido em algum lugar que havia um problema de desabastecimento momentâneo de papel higiênico na ilha do Coronel Fidel (ele jamais admite que leia aquela revista capitalista, oposicionista, desestabilizadora do sistema, intrigueira, burguesa e mentirosa: a... qual? Veja, claro!). Culpa dos americanos, que fazem de tudo para tirar o conforto dos cubanos. Precavido que só ele, colocou alguns exemplares velhos de Veja na bagagem. Não me pergunte onde ele arranjou, já que diz que não a lê. Só por precaução, claro. Não por desconfiança, só por segurança. Vai que não encontra nenhum rolo de papel higiênico por lá? Homem viajado é naturalmente precavido.
A ilha é um verdadeiro paraíso, como relatou numa seção solene do senadinho após seu retorno. Uma maravilha! De tão boa que é para quem vive lá, que os seus governantes, democraticamente eleitos, não permitem que ninguém saia de lá. Por que sair de um país socialista, justo, igualitário, onde todo o povo está numa mesma classe social? Afinal, todo mundo ganha igual! Pra que? Hein? Portanto, sair de lá só se com permissão especial, que normalmente é dada para os membros do partido em férias com suas famílias. Para onde? Vamos ver se você advinha? Claro, para os países de primeiro mundo capitalistas (olha a redundância de novo!).
Logo após chegar, o Dr. foi provar os deliciosos e famosos frutos do mar de Cuba. Manda vir o prato mais completo disponível no cardápio, quase um rodízio de especiarias marinhas. Baratinho, baratinho. O problema é que aquelas delícias estavam “conservadas” nos refrigeradores do restaurante que ficaram sem funcionar no dia anterior, por falta de energia elétrica na ilha, tudo culpa dos americanos. Comeu até se entupir. Parecia o companheiro Morales em banquete de seu aniversário.
Foi para o hotel, já meio zonzo. Deitou-se para descansar da longa viagem quando de repente escuta: gruuumm, xiiiimmm, bruuumm, cuiiimm. Alerta ligado! Tá vindo... Corre pro banheiro e quando olha para a papeleira: nada! Não tinha nenhum maldito centímetro de papel higiênico. Resmunga com razão: “- É por isso que eu odeio os americanos!”.
Mas, precavido que só ele, recorre à Veja. Não teve dó. Saiu rasgando as páginas amarelas onde estava a entrevista com Warren Buffett. E, nessa hora, acabou vindo... E veio com força. Prummm, chiiimm, bammm. Parecia um furacão nos mares do Caribe, com trovoada e tudo mais. Um verdadeiro escândalo.
Após a tempestade, a bonança. Olhou para a cara estampada do capitalista mais odiado pelos neo-socialistas e... passou de um lado para o outro, com toda a raiva que ele acumulou até então. Sem nenhum dó. Até com certa satisfação. O problema é que o papel usado por Veja é, digamos assim, pouco apropriado para esse fim. Já viu pedreiro aplicando massa corrida na parede com uma espátula? Quanto mais passa, mais espalha. Foi o que aconteceu. Foi se espalhando. Passava de um lado para outro, de cima para baixo, em círculos, ou até com certa força e não adiantava. Quanto mais passava, mais espalhava. Dessa vez grita alto, para que todo mundo pudesse ouvir sua ira contra o capitalismo: “- Veja, marrom, não serve nem pra....”.
Passado o sufoco na ilha modelo de socialismo, seguiu viagem. Foi conhecer a Venezuela, epicentro das nações bolivarianas. Grande expectativa. Coração a mil. Não via a hora de poder voltar e contar para os outros seca-senadores sobre os paraísos bolivarianos que visitara. No aeroporto, a primeira coisa que foi fazer foi câmbio. Trocou dólares pela moeda local, o Bolívar Fuerte. Viu só, bolivariano também carrega dólares! Na tabela mostrava a conversão de 1 dólar = 2 Bolivar Fuertes. Pensa: “- Nossa, como é fuerte mesmo essa moeda!”. Nisso, um policial fardado chega perto dele, olhando para os lados, meio constrangido, meio disfarçando: “- Usted quieres cambiar?”. Responde no ato ao simpático policial: “- Sí, sí. Claro que sí”, e logo tira uma nota de cem dólares do bolso (ele não as carrega na cueca). O policial lhe devolve 400 Bolivar Fuertes. Matuta em silêncio: “- Uai, mas o câmbio é 1 para 2 e ele me faz 1 para 4?!”. Nessa altura, o Bolívar Fuerte já não é tão fuerte assim: de cara, perdeu 50% do valor.
Ao chegar ao hotel Sheraton, recém tomado pelo governo, através da nova estatal bolivariana venezuelana de turismo, viu uma placa na recepção onde estava escrito o seguinte: “Cambio: 1 dolar = 16 Bolivar Fuertes. No damos descuento!”. Logo abaixo, em letras menores, outra mensagem: “Baño racionado: solamente hasta 3 minutitos”.
Esses americanos realmente são terríveis. Por que fazem isso com os bolivarianos?
É tudo verdade. Pode crer.
* Tio Zeca é seca-pimenteira e autor do best seller “Dr. Magalha é minha Anta”, na lista dos mais vendidos de Veja, desde semana passada (dizem que foi escrito por um ghost writer). Escreva para: tiozecacapitalista@ig.com.br
Meu amigo, Dr. Magalha, é o seca-pimenteira mais secado que eu conheço. Basta ele não aparecer em uma seção dominical do senadinho que a especulação começa a correr solto: “- Ele foi pra onde desta vez?”. Não falta senador jogando um veneninho: “- Deve ter ido pesquisar o capitalismo selvagem em algum país de primeiro mundo!” (país de primeiro mundo capitalista é redundância). Mas, dessa vez não. De tanto os seca-senadores dizerem que ele não fazia turismo, nem pesquisa no outro mundo, só no primeiro, resolveu visitar dois paraísos socialistas bolivarianos latino-americanos. Como tinha muitos pontos acumulados em seu cartão Amex Platinum, poderia viajar na executive class, como de costume. Corpo de bolivariano acostuma fácil com o luxo.
Mas, o Dr. Magalha é um cara antenado. Ouviu falar que alguém tinha lido em algum lugar que havia um problema de desabastecimento momentâneo de papel higiênico na ilha do Coronel Fidel (ele jamais admite que leia aquela revista capitalista, oposicionista, desestabilizadora do sistema, intrigueira, burguesa e mentirosa: a... qual? Veja, claro!). Culpa dos americanos, que fazem de tudo para tirar o conforto dos cubanos. Precavido que só ele, colocou alguns exemplares velhos de Veja na bagagem. Não me pergunte onde ele arranjou, já que diz que não a lê. Só por precaução, claro. Não por desconfiança, só por segurança. Vai que não encontra nenhum rolo de papel higiênico por lá? Homem viajado é naturalmente precavido.
A ilha é um verdadeiro paraíso, como relatou numa seção solene do senadinho após seu retorno. Uma maravilha! De tão boa que é para quem vive lá, que os seus governantes, democraticamente eleitos, não permitem que ninguém saia de lá. Por que sair de um país socialista, justo, igualitário, onde todo o povo está numa mesma classe social? Afinal, todo mundo ganha igual! Pra que? Hein? Portanto, sair de lá só se com permissão especial, que normalmente é dada para os membros do partido em férias com suas famílias. Para onde? Vamos ver se você advinha? Claro, para os países de primeiro mundo capitalistas (olha a redundância de novo!).
Logo após chegar, o Dr. foi provar os deliciosos e famosos frutos do mar de Cuba. Manda vir o prato mais completo disponível no cardápio, quase um rodízio de especiarias marinhas. Baratinho, baratinho. O problema é que aquelas delícias estavam “conservadas” nos refrigeradores do restaurante que ficaram sem funcionar no dia anterior, por falta de energia elétrica na ilha, tudo culpa dos americanos. Comeu até se entupir. Parecia o companheiro Morales em banquete de seu aniversário.
Foi para o hotel, já meio zonzo. Deitou-se para descansar da longa viagem quando de repente escuta: gruuumm, xiiiimmm, bruuumm, cuiiimm. Alerta ligado! Tá vindo... Corre pro banheiro e quando olha para a papeleira: nada! Não tinha nenhum maldito centímetro de papel higiênico. Resmunga com razão: “- É por isso que eu odeio os americanos!”.
Mas, precavido que só ele, recorre à Veja. Não teve dó. Saiu rasgando as páginas amarelas onde estava a entrevista com Warren Buffett. E, nessa hora, acabou vindo... E veio com força. Prummm, chiiimm, bammm. Parecia um furacão nos mares do Caribe, com trovoada e tudo mais. Um verdadeiro escândalo.
Após a tempestade, a bonança. Olhou para a cara estampada do capitalista mais odiado pelos neo-socialistas e... passou de um lado para o outro, com toda a raiva que ele acumulou até então. Sem nenhum dó. Até com certa satisfação. O problema é que o papel usado por Veja é, digamos assim, pouco apropriado para esse fim. Já viu pedreiro aplicando massa corrida na parede com uma espátula? Quanto mais passa, mais espalha. Foi o que aconteceu. Foi se espalhando. Passava de um lado para outro, de cima para baixo, em círculos, ou até com certa força e não adiantava. Quanto mais passava, mais espalhava. Dessa vez grita alto, para que todo mundo pudesse ouvir sua ira contra o capitalismo: “- Veja, marrom, não serve nem pra....”.
Passado o sufoco na ilha modelo de socialismo, seguiu viagem. Foi conhecer a Venezuela, epicentro das nações bolivarianas. Grande expectativa. Coração a mil. Não via a hora de poder voltar e contar para os outros seca-senadores sobre os paraísos bolivarianos que visitara. No aeroporto, a primeira coisa que foi fazer foi câmbio. Trocou dólares pela moeda local, o Bolívar Fuerte. Viu só, bolivariano também carrega dólares! Na tabela mostrava a conversão de 1 dólar = 2 Bolivar Fuertes. Pensa: “- Nossa, como é fuerte mesmo essa moeda!”. Nisso, um policial fardado chega perto dele, olhando para os lados, meio constrangido, meio disfarçando: “- Usted quieres cambiar?”. Responde no ato ao simpático policial: “- Sí, sí. Claro que sí”, e logo tira uma nota de cem dólares do bolso (ele não as carrega na cueca). O policial lhe devolve 400 Bolivar Fuertes. Matuta em silêncio: “- Uai, mas o câmbio é 1 para 2 e ele me faz 1 para 4?!”. Nessa altura, o Bolívar Fuerte já não é tão fuerte assim: de cara, perdeu 50% do valor.
Ao chegar ao hotel Sheraton, recém tomado pelo governo, através da nova estatal bolivariana venezuelana de turismo, viu uma placa na recepção onde estava escrito o seguinte: “Cambio: 1 dolar = 16 Bolivar Fuertes. No damos descuento!”. Logo abaixo, em letras menores, outra mensagem: “Baño racionado: solamente hasta 3 minutitos”.
Esses americanos realmente são terríveis. Por que fazem isso com os bolivarianos?
É tudo verdade. Pode crer.
* Tio Zeca é seca-pimenteira e autor do best seller “Dr. Magalha é minha Anta”, na lista dos mais vendidos de Veja, desde semana passada (dizem que foi escrito por um ghost writer). Escreva para: tiozecacapitalista@ig.com.br
Quem tem boca vaia Roma
* Tio Zeca
Tem quem pense que o dito popular é “quem tem boca vai a Roma”. Até meu amigo mais culto e viajado, Dr. Magalha, pensa assim. Ele vai a Roma porque tem boca, e quem tem boca... Minha empregada Alzira diz que ele é o cara mais “curto” que ela conhece: “- Ele escreve tanto!”.
O Dr. tinha um objetivo claro para essa viagem a Roma: jantar no restaurante mais chique do mundo (acredito que também deva ser o mais caro), com talheres de ouro, guardanapos finíssimos, luz de velas e tudo mais que possa justificar o preço. Tudo bem se ele fosse um daqueles capitalistas que trabalham “só” para ganhar dinheiro, mas não. O cara é socialista declarado, de carteirinha e tudo. Até em um bolivariano ele já se transformou. Anda com chaveirinho que estampa as fotos dos maiores ídolos dos neo-socialistas: Coronel Chaves e Simon Bolívar (coitado do Coronel Fidel, anda meio esquecido). Afinal, todo bom socialista sul-americano também é bolivariano.
Foi-se o tempo em que os socialistas tinham boca e vaiavam Roma em passeatas quilométricas, bradando palavras de ordem. Pau no FMI, FHC, nas privatizações, nos bancos, nos juros... Vaia na Globo, na Veja, nos neo-capitalistas... Hoje, continuam batendo no “falecido” FHC, na poderosa Globo, na Veja marrom e em todos que tem o rompante de falar-lhes mal. Esqueceram do FMI, dos juros mais altos do mundo, dos bancos que mais lucram no planeta... Agora defendem o MST, os mensaleiros, os Judas Renan, Sarney e Collor (até elle?). Nossa, como o socialismo tem evoluído ultimamente!
Mas, voltemos a Roma. O Dr.viajou de Aeroflot ou Tupolev russo? Claro que não. Foi numa companhia aérea capitalista transnacional, sempre mal intencionada, já que “só” visa lucro. O avião só podia ser Airbus ou Boeing, cujas fábricas estão espalhadas pelo mundo, da Alemanha à França, da China (quem diria, hein?!) aos Estados Unidos, da Inglaterra a..., sem falar que os seus proprietários também estão espalhados pelo mundo afora e só se encontram nas famigeradas bolsas de valores para comprar ou vender (especular, como dizem os neo-socialistas) ações. Obviamente que essas companhias capitalistas jamais comprariam os excelentes aviões fabricados por empresas estatais dirigidas por competentes executivos do partido e montados por satisfeitos operários que recebem “todo” o necessário para uma vida saudável, alegre e rotineira num país que não deixa ninguém sair de lá porque não tem nada para ser visto além de suas fronteiras.
A passagem deve ter custado uns 600 dólares porque a concorrência predatória dessas companhias capitalistas transnacionais fez com que os preços despencassem de perto dos dois mil que eram quando o Governo, guardião do povo, protetor dos oprimidos, salvador dos direitos dos excluídos, tabelava os preços e impedia a concorrência. Se não fossem os pontos ganhos em seu cartão American Express, teria que viajar lá na carroceria, como é conhecida a classe econômica. Deus me livre, ou melhor, Deus o livre (socialista verdadeiro acredita em Deus? Em Judas parece que o líder maior acredita). Nada disso, com os pontos ganhos nas compras de mercadorias produzidas por empresas capitalistas transnacionais que tiram o sangue de seus funcionários (algumas delas ainda cometem o sacrilégio de distribuir lucros ou bônus em ações) com seu Amex Platinum, pôde fazer um upgrade e foi viajar na executive class. Nunca antes na história deste país, os socialistas tiveram tantos cartões de crédito (até aqueles corporativos do governo e estatais).
Na executiva, longe do proletariado lá da carroceria, o Dr. até parece burguês socialista (existe isso? Claro, são os dirigentes do partido, os que mandam). Pôde degustar lagostas do Maine, king crab do Alasca, caviar de esturjão beluga do Mar Cáspio, champagne de Champagne (claro!). Tudo que o melhor socialista e qualquer capitalista possa merecer. Chegando ao Fiumicino, desce antes do proletariado da carroceria, carimba seu passaporte no cantinho que sobrou, de tantos carimbos que tem, e vai direto à Hertz, aquela outra empresa capitalista transnacional que só pensa em dar lucro aos seus acionistas alugando carros pelo mundo todo. Vai alugar um Fiat Uno? Mille? Siena? Nem a pau, Juvenal: sai de Mercedes-Bens novinho em folha, digno dos mais altos dirigentes do partido, alugado a preços módicos impostos pela concorrência. Afinal, não é porque o meu amigo é bolivariano que deva andar de Lada.
A crise financeira mundial causada pelo capitalismo explorador e sem limites trouxe duas alegrias para os neo-socialistas. A primeira foi dizer que o capitalismo está acabado (até que enfim!). A segunda alegria foi poder aproveitar a promoção do Ritz-Carlton, antigo reduto exclusivo de capitalistas e chefões do partido. Não fosse o começo do fim do capitalismo, sua diária seria pelo menos umas mil e quinhentos pilas (Euros!) por um quartinho. E agora?... Barato que até poderia suportar algumas baratas andando pelos cantos do armário. Bendito fim do capitalismo!
Para comer com talheres de ouro, só se for acompanhado de um bom vinho. Em épocas de apocalipse capitalista, dá até para arriscar e pedir indicação ao maitre. Châteu Pétrus, o preferido do companheiro Zé Dirceu? Ou um Romanée-Conti, do líder maior, Lula? Na dúvida, pergunta ao maitre. Sangue-de-Boi, só nos jantares dos seca. Para sobremesa, nada mais italiano do que um sorvete italiano! Tiramissu? Também vai bem. É baratinho; não passa de vinte pilas. Depois de jantar no restaurante mais chique do mundo capitalista, socialista que se preze ajuda a distribuir riquezas: deixa uma gorjetinha para o garçom. No fundo, meu amigo tem um bom coração, excelente humor, aprecia as coisas boas da vida e seu tempo livre para visitar países capitalistas e estudar o capitalismo selvagem (na África? Claro que não; na Europa, que é bom).
Por isso, digo, bolivariano que tem boca, vai a Roma.
* Tio Zeca é seca-pimenteira que ocupa a cadeira número 16 do senadinho. Como todo capitalista literário sem tempo, paga para ter um ghost writer. Escreva para: tiozecacapitalista@ig.com.br
Tem quem pense que o dito popular é “quem tem boca vai a Roma”. Até meu amigo mais culto e viajado, Dr. Magalha, pensa assim. Ele vai a Roma porque tem boca, e quem tem boca... Minha empregada Alzira diz que ele é o cara mais “curto” que ela conhece: “- Ele escreve tanto!”.
O Dr. tinha um objetivo claro para essa viagem a Roma: jantar no restaurante mais chique do mundo (acredito que também deva ser o mais caro), com talheres de ouro, guardanapos finíssimos, luz de velas e tudo mais que possa justificar o preço. Tudo bem se ele fosse um daqueles capitalistas que trabalham “só” para ganhar dinheiro, mas não. O cara é socialista declarado, de carteirinha e tudo. Até em um bolivariano ele já se transformou. Anda com chaveirinho que estampa as fotos dos maiores ídolos dos neo-socialistas: Coronel Chaves e Simon Bolívar (coitado do Coronel Fidel, anda meio esquecido). Afinal, todo bom socialista sul-americano também é bolivariano.
Foi-se o tempo em que os socialistas tinham boca e vaiavam Roma em passeatas quilométricas, bradando palavras de ordem. Pau no FMI, FHC, nas privatizações, nos bancos, nos juros... Vaia na Globo, na Veja, nos neo-capitalistas... Hoje, continuam batendo no “falecido” FHC, na poderosa Globo, na Veja marrom e em todos que tem o rompante de falar-lhes mal. Esqueceram do FMI, dos juros mais altos do mundo, dos bancos que mais lucram no planeta... Agora defendem o MST, os mensaleiros, os Judas Renan, Sarney e Collor (até elle?). Nossa, como o socialismo tem evoluído ultimamente!
Mas, voltemos a Roma. O Dr.viajou de Aeroflot ou Tupolev russo? Claro que não. Foi numa companhia aérea capitalista transnacional, sempre mal intencionada, já que “só” visa lucro. O avião só podia ser Airbus ou Boeing, cujas fábricas estão espalhadas pelo mundo, da Alemanha à França, da China (quem diria, hein?!) aos Estados Unidos, da Inglaterra a..., sem falar que os seus proprietários também estão espalhados pelo mundo afora e só se encontram nas famigeradas bolsas de valores para comprar ou vender (especular, como dizem os neo-socialistas) ações. Obviamente que essas companhias capitalistas jamais comprariam os excelentes aviões fabricados por empresas estatais dirigidas por competentes executivos do partido e montados por satisfeitos operários que recebem “todo” o necessário para uma vida saudável, alegre e rotineira num país que não deixa ninguém sair de lá porque não tem nada para ser visto além de suas fronteiras.
A passagem deve ter custado uns 600 dólares porque a concorrência predatória dessas companhias capitalistas transnacionais fez com que os preços despencassem de perto dos dois mil que eram quando o Governo, guardião do povo, protetor dos oprimidos, salvador dos direitos dos excluídos, tabelava os preços e impedia a concorrência. Se não fossem os pontos ganhos em seu cartão American Express, teria que viajar lá na carroceria, como é conhecida a classe econômica. Deus me livre, ou melhor, Deus o livre (socialista verdadeiro acredita em Deus? Em Judas parece que o líder maior acredita). Nada disso, com os pontos ganhos nas compras de mercadorias produzidas por empresas capitalistas transnacionais que tiram o sangue de seus funcionários (algumas delas ainda cometem o sacrilégio de distribuir lucros ou bônus em ações) com seu Amex Platinum, pôde fazer um upgrade e foi viajar na executive class. Nunca antes na história deste país, os socialistas tiveram tantos cartões de crédito (até aqueles corporativos do governo e estatais).
Na executiva, longe do proletariado lá da carroceria, o Dr. até parece burguês socialista (existe isso? Claro, são os dirigentes do partido, os que mandam). Pôde degustar lagostas do Maine, king crab do Alasca, caviar de esturjão beluga do Mar Cáspio, champagne de Champagne (claro!). Tudo que o melhor socialista e qualquer capitalista possa merecer. Chegando ao Fiumicino, desce antes do proletariado da carroceria, carimba seu passaporte no cantinho que sobrou, de tantos carimbos que tem, e vai direto à Hertz, aquela outra empresa capitalista transnacional que só pensa em dar lucro aos seus acionistas alugando carros pelo mundo todo. Vai alugar um Fiat Uno? Mille? Siena? Nem a pau, Juvenal: sai de Mercedes-Bens novinho em folha, digno dos mais altos dirigentes do partido, alugado a preços módicos impostos pela concorrência. Afinal, não é porque o meu amigo é bolivariano que deva andar de Lada.
A crise financeira mundial causada pelo capitalismo explorador e sem limites trouxe duas alegrias para os neo-socialistas. A primeira foi dizer que o capitalismo está acabado (até que enfim!). A segunda alegria foi poder aproveitar a promoção do Ritz-Carlton, antigo reduto exclusivo de capitalistas e chefões do partido. Não fosse o começo do fim do capitalismo, sua diária seria pelo menos umas mil e quinhentos pilas (Euros!) por um quartinho. E agora?... Barato que até poderia suportar algumas baratas andando pelos cantos do armário. Bendito fim do capitalismo!
Para comer com talheres de ouro, só se for acompanhado de um bom vinho. Em épocas de apocalipse capitalista, dá até para arriscar e pedir indicação ao maitre. Châteu Pétrus, o preferido do companheiro Zé Dirceu? Ou um Romanée-Conti, do líder maior, Lula? Na dúvida, pergunta ao maitre. Sangue-de-Boi, só nos jantares dos seca. Para sobremesa, nada mais italiano do que um sorvete italiano! Tiramissu? Também vai bem. É baratinho; não passa de vinte pilas. Depois de jantar no restaurante mais chique do mundo capitalista, socialista que se preze ajuda a distribuir riquezas: deixa uma gorjetinha para o garçom. No fundo, meu amigo tem um bom coração, excelente humor, aprecia as coisas boas da vida e seu tempo livre para visitar países capitalistas e estudar o capitalismo selvagem (na África? Claro que não; na Europa, que é bom).
Por isso, digo, bolivariano que tem boca, vai a Roma.
* Tio Zeca é seca-pimenteira que ocupa a cadeira número 16 do senadinho. Como todo capitalista literário sem tempo, paga para ter um ghost writer. Escreva para: tiozecacapitalista@ig.com.br
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